A internet e a covardia na advocacia e consultoria


03 de Fevereiro de 2019

Necessitado? Tenho me feito repetidamente este questionamento. Porquê? De um lado, nos últimos aproximados 8 (oito) anos, a maioria dos Detran´s do Brasil vem conseguindo (pelos motivos que no momento não discorrerei sobre opinão atinente) aumentar sua atenção aos prontuários dos motoristas, isto é, punindo com suspensão e cassação de CNH cada dia mais motorista e cada vez com mais assiduidade. Milhares de novos escritórios de advocacia e consultoria especializados de trânsito nasceram nesse interregno temporal aproximado e conduzem esta digressão aos apontamentos que se seguirão: Quantos sites especializados estão vendendo defesas prontas contra multas de trânsito e o fazendo como se fossem específicas para o caso do motorista que a compra? Qual o impacto desta atitude totalmente antiética tanto sobre os profissionais sérios e corretos quanto sobre a opinião do motorista em geral que possa estar ou ser interessado no assunto por necessidade de fazer sua própria defesa, buscando o serviço de um profissional ¨real¨ na internet? Porque, a despeito de muitas vezes, mesmo com a ciência de sua provável ineficácia, o motorista condutor de veículo automotor compra este tipo de defesa, por preços pífios que não cobrem sequer o papel, mas que geram uma renda líquida mínima, que em grande escala se justificam (já que inexiste o custo processual, documental e intelectual para a disponibilização do mesmo)? Até que ponto um profissional, que, como eu, não possui formação acadêmica e atua nesta área deve ¨alertar¨ ao motorista que porventura ainda seja incauto no concernente ao assunto? Qual a responsabilidade do advogado recém-formado que faz o mesmo? E ainda, eticamente, seria proporcionalmente mais grave, exatamente por este motivo? Será que este advogado tem tratado sua própria formação sem respeito a ela mesma? Aonde está a dignidade ética e moral e o respeito aos deveres inerentes ao operador do direito com formação acadêmica e que JUROU submeter-se ao ingressar na OAB? Seríamos nós ingênuos sob a perspectiva de que seria ¨um caminho¨sem volta toda essa ¨indústria do recurso de multa¨ assim como tem se mostrado igualmente sem volta a chamada ¨indústria da multa¨? E mais, estaríamos nós testemunhando o nascimento da ¨mais nova¨, o que chamarei de ¨indústria da suspensão de CNH¨ no Brasil?